domingo, 30 de outubro de 2011

Q&A (2006)

Q&A é um livro publicado em 2006, cuja a tradução de seu título é Sua Resposta Vale Um Bilhão. Reconhece este nome?
Não, isso não é nenhum programa do Silvio Santos ou qualquer outro parecido com Mega Senha, mais sim a obra que originou o filme vencedor de oito (!) Oscar, Quem Quer Ser Um Milionário? (Slumdog Millionaire).

Capa do livro antes do filme ser lançado 

Acabei fazendo o processo inverso: li o livro após ter assistido o filme, mas nada que atrapalhasse as surpresas ou coisas assim, visto que são praticamente duas histórias diferentes.
A essência é a mesma em ambos: o menino indiano órfão e pobre que ao entrar num programa de perguntas e respostas é preso por acertar todas as perguntas.
Mas se a base da história é a mesma, como elas podem se diferenciar tanto?
Começando por um simples detalhe: o nome da personagem principal: Ram Mohammed Thomas, no livro, e Jamal, no filme.
No livro, escrito em flashback - o que dá um toque a mais na obra  - a razão pela qual Ram é preso é totalmente diferente da questão apresentada no livro; seu irmão, também, parece ser outra pessoa! Ou seja, são histórias diferentes, o que Ram e Jamal passaram não foi a mesma tragetória, muito menos com as mesmas personagens, apesar de algumas se repetirem.

Capa do livro após o lançamento do filme dirigido por Danny Boyle

Ram vai contando sua vida de uma maneira extremamente encantadora. A cada página que passa, mais vontade você tem de saber o que aconteceu com o rapaz, morre de curiosidade para descobrir as respostas e razões de determinados fatos da sua história. Um livro que, por sua simplicidade, é ao mesmo tempo viciante pelo carisma que há dentro dele.

Devo dizer que, apesar de toda essa distinção entre as obras, tanto o livro, quanto o filme são incrivelmente bons - confesso que tenho uma enorme paixão pelos filmes de Danny Boyle, que fez uma ótima adaptação do mesmo. Por isso, para quem assistiu o filme, se interessou, não deixe de ler o livro, caso tenha uma oportunidade e depois reveja-o e note quantas diferenças há entre os dois!

sábado, 29 de outubro de 2011

District 9 (2009)

Há 20 anos uma nave alienígena pousou na Terra e desde então nós tivemos que conviver com eles. Confinamos os ets num campo de concentração chamado Distrito 9, não sem antes de uma série de conflitos, mortes e experimentos com eles. Depois de uma série de reclamações de humanos que não queriam os aliens por perto, tivemos que mudá-los de lugar - mas eles não querem se mudar de novo.


Existem várias coisas que fogem do clichê e do lugar-comum em filmes de alienígenas invadindo a Terra em Distrito 9. A primeira delas, talvez, é que a história se passa em Johanesburgo, a cidade mais importante da África do Sul. Basta ligar os fatos para saber que a história é uma grande analogia às políticas de segregação do apartheid - é interessante como os humanos chamam os alien de camarões, assim como os brancos chamavam os negros de macacos. Além de ser uma ficção cientifica mais politizada, aqui não vemos a separação de personagens do bem e personagens do mal. Aqui tanto humanos quanto alienígenas são violentos, lutam pelos seus direitos (ou por direitos que não tem) e pela sobrevivência. O filme é sul-africano e os efeitos especiais, que são muitos, não fazem feio diante de um Transformers da vida. 
A história central é bem básica: um cara da MNU (que é tipo um órgão da ONU) é encarregado de entregar as ordens de despejo para os aliens saírem de seus barracos - o Distrito 9 é muito próximo dos bairros de Johanesburgo; a convivência com os humanos era caótica. Numa visita, ele conhece e discute com Christofer, um et que com seu filho (um lindinho rs) está criando uma fórmula para consertar a nave e voltar para casa, invade a casa dele e entra em contato com um líquido preto, que acaba transformando seu corpo em um corpo de alienígena - e passa a ser visto como uma abominação até pela sua própria família, restando a ele apenas a ajuda dos ets que ele prejudicou (lembrou de Laranja Mecânica?).


O filme tem muita ação e um roteiro bem inteligente - diferente das sci-fies mais recentes, tipo Super 8 ou Cowboys & Aliens. As atuações, dos atores que fazem os alienígenas e os humanos - um elenco bastante desconhecido -, estão bem convincentes, e a história é bem inovadora ao colocar ets e pessoas convivendo e não lutando por um pedaço de terra. A gente acredita o tempo todo que tem uma nave pairando sobre uma cidade da África do Sul, e o nosso amor pelo Christofer cresce em proporção geométrica ao longo do filme. Mas o filme não é perfeito; tem algumas brechas no roteiro e eu ainda não consigo entender como humanos e aliens se comunicam. Humanos falam em inglês e os aliens numa língua extra-terrestre (CÊ JURA) e ambos se falam super bem. Quer dizer, não é que nem o ET do Steven Spielberg, que se esforça todo para falar telefoooooona minha caaaaaaasa.
Distrito 9 é um filme muito interessante e é bastante válido que seja um dos primeiros filmes sul-africanos a ganhar destaque internacional. Como se as cenas de ação não valessem pelo filme todo, ele ainda vem com uma responsabilidade social bem grande. Vale bastante a pena.

Distrito 9 (2009)
4.09/5
Com Sharlto Copley (Esquadrão Classe A), Jason Cope (Juízo Final), Nathalie Boltt (Juízo Final), John Summer (King Kong) e William Allen Young (O Despertar para a Vida)

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

A Quarta Ponte - 2ois (2010)

Conheci essa banda por acaso há uns meses atrás, mas só ouvia uma música ou outra no youtube. Só agora vim descobrir que eles tem um cd, e, olha, é um cd delicioso, daqueles que não é difícil gostar de todas as músicas (tipo o 21, da Adele, ou o Californication, do Red Hot Chilli Peppers).
O 2ois (pronuncia-se dois, rs) é uma banda de acústico-experimental (!), liderada por Leonardo Ramos e General Sih. A banda ficou conhecida com a música "Ciúmes do Tamanho do Planeta Terra", cujo clipe foi assistido por mais de trezentas mil pessoas no youtube - que é pouco, se a gente comparar com os números de qualquer viral ou artista mainstream, mas é considerável se tratando de uma banda brasileira experimental - e que rendeu um contrato com uma gravadora. E, em 2010, veio A Quarta Ponte.

A Quarta Ponte (2010)
4.01/5

A Quarta Ponte é um disco bem leve e agradável com músicas bem indies de título longo e letras sobre o cotidiano. É quase impossível não se identificar com as letras; não é nada sobre grandes decepções ou dramas amorosos, mas sobre os problemas e alegrias do cotidiano, sobre engarrafamentos, hipocondria, tédio, saudades, ansiosidade, amizades coloridas e transplantes de rim. Há muito tempo eu não escutava músicas assim, tão próximas da realidade, tão viciantes. Minhas preferidas são "Eu Pago Inteira Pra Ela, Ela Só Quer Meia Entrada", "Olá, Eu Sou Um Fantasma" e "O Astronauta" (uma pena que "Se Eu Não Jogasse Voleibol Eu Estaria Abatendo Boi" não é do álbum, porque estaria no meu top 3 também). Impossível não curtir.
Para mais informações sobre o 2ois é só dar uma passada no myspace e no site oficial :))) Ah, dá uma conferida no clipe de "Ciúmes do Tamanho do Planeta Terra" - nada mal para uma banda "amadora".

eu vou comprar uma algema pra prender você em mim
você em mim
eu vou negar qualquer pedido seu pra sair daqui
sair de mim

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

The Tree of Life (2011)

"Os homens ensinaram que a vida pode seguir dois caminhos: o caminho da natureza e o caminho da graça". Essa frase é uma das primeiras e mais importantes de A Árvore da Vida, apontado por muitos como o melhor (ou o pior) filme do ano até agora. A frase aponta os dois caminhos que se pode escolher para seguir a vida; o caminho natural, instintivo e profano, e o caminho divino, do auto-controle. Há como ser feliz seguindo qualquer um dos dois, mas a escolha deve ser definitiva.


A Árvore da Vida conta a história de uma família americana dos anos 50, cujo chefe é um pai rígido e opressor e a mãe é o porto-seguro de afeição dos filhos, sob a perspectiva do filho mais velho. Sean Penn vive esse filho (apesar de não ser o protagonista ou o narrador), que, mesmo vivendo nos dias atuais, ainda sofre com o trauma da morte do irmão. Num dia melancólico, ele resolve reviver suas memórias de família.
Bom, devo dizer que A Árvore da Vida é um dos filmes mais desafiadores que eu já assisti, superando filmes como Donnie Darko e Fonte da Vida). Ele é diferente de tudo que já vi, desde alguns diálogos - repletos de frases (e imagens!) subjetivas - até imagens de coisas banais, como uma borboleta ou o voo de pássaros, parecem ser coisas completamente diferentes e assumem vários significados. Ele não é nem de longe um filme fácil; é preciso muita paciência e atenção para assisti-lo (pense no esforço para assistir A Origem e nos momentos que você precisou parar para pensar em Cisne Negro). Vi tanto gente dizendo que o filme é "o melhor do ano" (mesmo sem o ano ter acabado ainda), quanto gente dizendo que o filme é "duas horas de imagens aleatórias e frases sem sentido". Ou seja, ou você ama ou odeia. (Ah, muita gente diz que o filme é chato: essa galera deveria saber que o filme original tem 6 horas de duração, essa aí é só a parte editada, OU SEJA)
A Árvore da Vida tem como "foco" um garoto aprendendo a amar e a odiar. Várias cenas são bem emocionantes, como quando o pai ensina o filho a se defender, num exercício que mais os afasta que os une, ou quando o garoto nasce e vemos o pai maravilhado com o pé do filho. Brad Pitt está muito bem no papel do pai autoritário, mas a melhor atuação do filme é da desconhecidíssima Jessica Chastain no papel da mãe amável. Melhor atuação feminina desde... Natalie Portman, em Cisne Negro! Quanto aos termos técnicos, vi um crítico dizendo que A Árvore da Vida é o "filme mais bonito da história", e, olha, acho que não discordo. A fotografia, assim como a trilha sonora, é perfeita, bastante peculiar e fundamental para o "funcionamento" da história.


O tema do filme é universal; não tem como não se identificar com um menino que questiona "Por que eu tenho que ser bom se você não é?" (numa pergunta que não fica clara se é para o pai, para o próprio Deus ou para os dois), com uma mulher que vê seus filhos crescerem num piscar de olhos, com um ~namoro~ pré-adolescente, com alguém que se pergunta se deve crer em Deus ou não, com a compaixão que um dinossauro grande sente por um pequeno e indefeso... (Sim, tem dinossauros no filme!) A questão religiosa é muito mais profunda do que aparenta: Deus é por vezes visto como um pai malvado, mas é também a razão de tudo. A "Criação de Deus" também aparece no filme numa sequência que remonta a origem do universo e da vida na Terra. Mas o que isso tem a ver com a história original, da família do Brad Pitt?
Tudo. Para narrar a relação entre os pais e os filhos, os filhos e o mundo, o filme mostra, de forma literal, o Big Bang, as explosões vulcânicas, os primeiros seres vivos, os organismos unicelulares... Tudo para mostrar que para entender a história de uma família, é necessário entender a história do mundo, da vida, porque tudo está conectado, tudo pertence a mesma coisa - a Criação.


A Árvore da Vida conquista também pelos detalhes, que são vários; desde a falta de um furo na orelha da mãe até a forma de segurar um talher. Mas muita coisa é realmente bastante complicada para entender. Dá para perceber que, quando o personagem do Sean Penn nasce e passa uma cena de uma casa submersa e um menino saindo dela a nado, isso é uma analogia a saída do útero. Ok. Mas alguns simbolismos são tão desafiadores que a gente acaba desistindo de entender algumas partes - como um caixão de vidro no meio da floresta (?). O final é também bastante enigmático, mas ao mesmo tempo bem esclarecedor. Deixa bem claro que o mais importante, por mais clichê que isso soe, é o amor. Talvez uma das frases mais quotáveis do filme é: "A única forma de ser feliz é amando. Sem o amor, sua vida passará como um relâmpago."
Enfim, assistir ao filme é uma experiência inesquecível. Ele é merecedor de todos os elogios que vem ganhando, até os mais exagerados e emocionados (ganhou o prêmio principal de Cannes e é um forte candidato a melhor filme no Oscar do ano que vem). A Árvore da Vida é uma história simples e complexa ao mesmo tempo, um filme sensível e bonito sobre amor, perdão, família, Deus e sobre o sentido da vida.

A Árvore da Vida (2011)
4.87/5
Com Brad Pitt (Bastardos Inglórios), Jessica Chastain (Histórias Cruzadas), Sean Penn (Milk - A Voz da Igualdade), Fiona Shaw (Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 1), Nicolas Gonga (Doze Homens e um Outro Segredo) e Hunter McCracken.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Moto Contínuo - China (2011)

Soube deste ilustre músico quando a MTV resolveu revolucionar sua programação. 
Apresentador do MTV Na Brasa, China traz toda semana alguma banda brasileira aos estúdios com uma conversa sempre bem interessante, além de mostrar outras tendências da música nacional atual. Mas a questão aqui não é sua performance como um apresentador de televisão, mas sim como (um grande) cantor!

Em 2004, lançou um EP chamado Um Só, com apenas cinco músicas agitadas, com bastante ritmo e sotaque pernambucano fofíssimo! As minhas favoritas são Contra Informação e Ainda Esquento o Barracão.

Durante muito tempo sem lançar nada , porém fazendo alguns shows com a banda Del Rey, na qual faziam covers de Robertos Carlos e seu amigo Erasmo Carlos, em 2011 China volta com toda energia e qualidade com seu novo disco.


O albúm está disponível para download no próprio site do cantor, é só clicar na imagem!

Moto Contínuo é um albúm recheado das mais diversas participações especiais, desde Tiê até Pitty e é fácil de conquistar qualquer ouvinte. O estilo das músicas é bem variado, com músicas de refrão grudento - Todo malandro tem seu dia de otário!, músicas para dançar, para acalmar, para fazer o que quiser! Não deixe de escutar Só Serve Pra Dançar, Terminei Indo e Overlock.

É até um pouco difícil falar de algo que me agradou tanto. China, junto de inúmeros outros artistas, é mais uma prova de que a música brasileira deve ser valorizada pela sua população, pois há muita coisa boa espalhada por esse país, minha gente!

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Taxi Driver (1976)

Até onde a solidão pode levar um homem ou uma mulher? A alienação e o deslocamento são produtos da sociedade ou são naturais do ser humano? E qual o papel da violência em meio a tudo isso? Essas são só algumas das questões levantadas por Taxi Driver, clássico de Scorsese, de 1976.

tentei fazer alguma piada sobre o cabelo dele, mas não consegui
O filme conta a história de Travis, um veterano de guerra, que se sente alheio a tudo e bastante deslocado da vida em sociedade. Ele nutre um ódio enorme pela "sujeira do mundo", representado pelos guetos da cidade de Nova York, e começa a exercer sua psicopatia depois de conhecer Iris, uma prostituta infantil.
Devo dizer que nunca vi um filme do Scorsese antes, e acho que comecei bem. Taxi Driver é um conto bem peculiar sobre um homem deslocado e sozinho, que, como sofre de insônia (lembrou de Clube da Luta?), passa as noite observando a cidade em seu táxi. A primeira metade do filme é bem lenta - com umas partes meio monótonas, mas nada que atrapalhe o ritmo do filme -, mostrando a relação do Travis com seus colegas de trabalho e com uma militante de um partido político pela qual ele acaba se afeiçoando. O filme mostra o taxista como um alienado em sua própria solidão; ele demora a responder perguntas, não tem noção do que é ou não é aceitável (quem, afinal, levaria alguém para um cinema pornô no primeiro encontro?), etc. E a gente só se impressiona com toda essa alienação graças a atuação incrível do Robert de Niro. Ele segura o filme inteiro com seus trejeitos de psicopata-social (vide Dexter) e impressiona mais ainda quando libera todo esse lado violento.


Acho que todo mundo conhece aquela cena do "are you talking to me?". Talvez este seja o monólogo mais famoso do cinema; é a cena na qual o Travis questiona seu comportamento passivo, logo depois de conhecer uma menina prostituta (interpretada pela Jodie Foster aos 14 anos!) e resolver libertá-la de seu cafetão. É a partir daí que o filme fica mais interessante: a gente conhece o "verdadeiro Travis", prestes a fazer justiça com as próprias mãos.
O filme é cultuadíssimo, e não falta cinéfilo dizendo que se aproxima de O Poderoso Chefão em termos técnicos. Para completar, o final é bem contraditório, dando margem a várias interpretações.
Enfim, Taxi Driver tem atuações ótimas, direção e trilha sonora idem - apesar de um solo irritante de saxofone que toca o-filme-inteiro. É uma experiência super válida e um dos melhores dramas (e thrillers psicológicos, apesar do ritmo lento) sobre psicopatia já feitos.

Taxi Driver (1976)
4.47/5
Com Robert De Niro (Entrando Numa Fria), Peter Boyle (Meu Papai É Noel), Jodie Foster (O Quarto do Pânico), Cybill Shepherd (The L World) e Harvey Keitel (Pulp Fiction).

domingo, 23 de outubro de 2011

Welcome to the jungle

Edward aprova o nome do blog
Primeiro post é sempre complicado, então vamos ser bem objetivos. Ao contrário do que você deve estar pensando por causa do nome do blog, esse não vai ser um espaço no qual eu e a Thaís (a garota da foto ao lado) iremos ensiná-los a fazer origamis ou aquelas coisinhas do-yourself com tesoura sem ponta. O objetivo do João, Thaís e Tesouras é falar sobre o último filme que a gente viu, o último cd que a gente escutou ou o último livro que a gente leu, afinal, essas são algumas das coisas que mais importam. Não esperem críticas super elaboradas nem nenhuma análise muito profunda do que nós iremos falar aqui; não somos especialistas em cinema, música ou literatura, estamos aqui apenas para compartilhar as últimas coisas que viemos consumindo. E, sim, o Edward Mãos-de-Tesoura é uma constante nas nossas vidas e nesse blog também.